
IRMANDADE DA SANTA CASA DE MISERICORDIA DE MARÍLIA
Cascata, Marília, SP
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A Santa Casa de Marília é um hospital de grande porte, com 97 anos de atividades e 203 leitos, dos quais 49 de UTI. Conta com 1.360 funcionários e corpo clínico de cerca de 350 médicos. Nosso atendimento de pacientes através do SUS (Sistema Único de Saúde) corresponde mais de 70% do movimento do hospital. Atendemos uma população aproximada de 1.300.000 habitantes, sendo referência regional em média e alta complexidade nos serviços de oncologia, cirurgia cardíaca e hemodinâmica, neurocirurgia, ortopedia e traumatologia e nefrologia, inclusive transplantes renais
Projeto de Nutrição Oncológica em Radioterapia
Sobre a entidade
A Santa Casa de Misericórdia de Marília é uma instituição filantrópica sem fins lucrativos com décadas de atuação no atendimento hospitalar e ambulatorial à população do município de Marília e região. Como irmandade de misericórdia, sua fundação remonta à vocação histórica das Santas Casas brasileiras de acolher e tratar os mais vulneráveis, independentemente de condição socioeconômica. A instituição é referência regional no tratamento oncológico pelo SUS, oferecendo quimioterapia, radioterapia e suporte clínico multidisciplinar. A incorporação progressiva de especialidades como Radioterapia e Nutrição Clínica oncológica reflete o compromisso institucional com a integralidade do cuidado ao paciente com câncer. O principal desafio da instituição reside na crescente demanda por serviços especializados em oncologia diante do subfinanciamento crônico do SUS. A desnutrição e a sarcopenia em pacientes oncológicos são realidades documentadas que afetam entre 40% e 80% desse público, reduzindo a resposta ao tratamento, aumentando complicações e internações, e impactando negativamente a sobrevida. A Santa Casa vem investindo na estruturação de equipes multidisciplinares e a criação de um serviço de nutrição oncológica dedicado, e pretende ampliar a qualidade com avaliação de composição corporal por Bioimpedância e mensuração de força muscular por dinamometria, representa um avanço significativo no padrão de cuidado oferecido à população SUS da região.
Justificativa
A desnutrição e a sarcopenia são as complicações nutricionais mais prevalentes e deletérias no paciente oncológico. Estudos internacionais e nacionais (ESPEN, ASCO, BRASPEN/SBNO) documentam prevalência de desnutrição entre 40% e 80% dos pacientes com câncer em tratamento ativo, com impacto direto na tolerabilidade à quimioterapia e à radioterapia, na taxa de complicações cirúrgicas, no tempo de internação, na qualidade de vida e na sobrevida global. A perda de quantidade e qualidade muscular — sarcopenia — é um preditor independente de toxicidade ao tratamento e mortalidade oncológica, e só pode ser adequadamente quantificada por métodos objetivos como a bioimpedância (BIA) e a dinamometria de preensão palmar. No SUS, o acesso a esses instrumentos e ao suporte nutricional especializado e contínuo é extremamente limitado. Na Santa Casa de Marília, pacientes em quimio e radioterapia apresentam rotineiramente efeitos adversos que comprometem a ingestão alimentar: náuseas, vômitos, mucosite, xerostomia, disfagia, disgeusia e anorexia. Os familiares e cuidadores, que assumem o suporte alimentar domiciliar, carecem de orientação técnica, amplificando o problema. O Projeto NORTE surge como resposta direta e estruturada a essa lacuna clínica e social, fortalecendo a assistência oncológica na DRS-IX e repercutindo positivamente de forma direta e indireta a centenas de pessoas
Importância e beneficiários
Implantar e operar o Projeto no setor de Radioterapia da Santa Casa de Marília, ampliando o acesso de pacientes oncológicos atendidos pelo SUS a suporte nutricional especializado, contínuo e tecnologicamente qualificado, incluindo avaliação por BIA e dinamometria, promovendo melhora do estado nutricional e da composição corporal, maior tolerância ao tratamento oncológico e melhora da qualidade de vida dos pacientes e de seus familiares ao longo de 12 meses. Implantar protocolo sistematizado de rastreio nutricional (NRS-2002 e ASG-PPP) para 100% dos pacientes oncológicos admitidos no ambulatório e enfermaria da Santa Casa de Marília. Oferecer avaliação nutricional completa — incluindo bioimpedância (BIA) e dinamometria de preensão palmar — e atendimento individualizado a pelo menos 200 pacientes em risco nutricional ou desnutrição. Realizar oficinas mensais de Educação Alimentar e Nutricional (EAN) para grupos de pacientes e cuidadores, além da equipe assistencial do setor, com carga horária de 1h-2h cada, ao longo de 10 meses consecutivos. Capacitar pelo menos 100 cuidadores familiares por meio de material educativo impresso e digital (cartilha nutricional oncológica) com orientações práticas para o manejo alimentar domiciliar. Reduzir em pelo menos 20% a prevalência de desnutrição grave (ASG-PPP grau C) e melhorar o perfil de massa muscular (por BIA) e de força de preensão palmar (por dinamometria) entre os pacientes em acompanhamento contínuo, comparando avaliação inicial e ao término da Radioterapia Produzir e distribuir 300 exemplares de cartilha nutricional oncológica em linguagem acessível, também disponibilizada em formato digital. Os beneficiários diretos do projeto NUTRI-ONCO são pacientes predominantemente adultos e idosos com diagnóstico oncológico confirmado em tratamento ativo — Radioterapia — pelo Sistema Único de Saúde (SUS) na Santa Casa de Marília, bem como seus familiares e cuidadores principais. Trata-se de população predominantemente de baixa renda, residente em Marília e municípios da região (DRS-IX compatível com 62 municípios), sem acesso a serviços de nutrição especializada em oncologia fora do contexto hospitalar. Grande parte desses pacientes convive com quadros de desnutrição e sarcopenia (40-80% dos pacientes oncológicos ao diagnóstico), agravados pelos efeitos adversos do tratamento. Os cuidadores familiares assumem papel central no suporte alimentar domiciliar, mas carecem de orientação técnica adequada. MÊS 1 — AGOSTO/2026 (Implantação): Padronização do protocolo de rastreio e avaliação nutricional; contratação de estagiário(a) em Nutrição Clínica, treinamento da equipe; aquisição e validação dos equipamentos (BIA, dinamômetro); desenvolvimento e configuração da plataforma digital de registro; início dos primeiros atendimentos individuais. MESES 2–12 — SETEMBRO/2026 a JULHO/2027 (Operação Plena): Rastreio sistemático contínuo dos pacientes admitidos; atendimentos nutricionais individualizados com BIA e dinamometria (2–3 dias/semana); oficinas EAN mensais (grupos de 15–25 participantes) a partir do mês 2; distribuição de cartilha a partir do mês 2; capacitação bimestral de cuidadores; suplementação nutricional oral para pacientes em vulnerabilidade social sem condição de aquisição. MÊS 6 — JANEIRO/2027 (Avaliação Intermediária): Reavaliacão completa dos resultados do intervalo de tempo e comparação com o esperado em literatura; análise de indicadores; relatório técnico intermediário enviado à Bracell. MÊS 12 — JULHO/2027 (Encerramento): Avaliação final de desfechos; relatório técnico final com análise de impacto; prestação de contas financeira completa.